por Sara Ferreira, Farmacêutica e Terapeuta Ayurvédica, com formação em Fitoterapia e Naturopatia. Formadora e autora no Curso de Cosmética Natural certificado pela DGERT.
INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, o interesse e a procura por cosmética natural aumentaram significativamente. Por um lado, assistimos ao crescimento dos movimentos healthy lifestyle, vegan e ecofriendly; por outro, verifica‑se um aumento de doenças de pele de carácter atópico, inflamatório, autoimune e até cancerígeno, o que tem levado muitas pessoas a procurar cuidados de pele isentos de químicos de síntese, alguns dos quais se têm revelado potencialmente prejudiciais para a saúde.
Estudos realizados com parabenos em modelos animais — químicos de síntese utilizados como conservantes na cosmética convencional há mais de 70 anos — mostraram que estas substâncias podem comportar‑se como disruptores endócrinos. Embora tal efeito não tenha sido observado nas doses permitidas em cosmética (até 0,2%), o facto de se terem encontrado parabenos em tecido mamário com cancro gerou preocupações quanto à sua utilização, tanto em produtos cosméticos como na alimentação.
Quer saber mais sobre disruptores endócrinos? Siga o link What is an endocrine disruptor? - ScienceDirect
COSMÉTICA NATURAL o que é?

Não existe uma definição legal para cosmética natural, mas a cosmética natural certificada é obrigada a indicar a percentagem de ingredientes de origem natural presentes na formulação. A COSMOS, entidade responsável pela certificação de cosmética natural em Portugal, considera como ingredientes de origem natural a água, os minerais, os extratos herbais e determinados químicos de síntese obtidos através de processos sustentáveis ou que resultem em substâncias biodegradáveis. Ficam excluídos desta categoria os ingredientes de origem petroquímica, os conservantes sintéticos e os agentes desnaturantes.
Por outro lado, de acordo com a norma ISO 16128‑1, ingredientes cosméticos naturais são aqueles obtidos a partir de plantas (incluindo macrofungos e algas), animais, minerais (exceto os de origem fóssil, como os petrolatos) ou micro‑organismos, bem como os produtos derivados destes materiais através de processos físicos — como destilação, decocção ou maceração — ou por fermentações que ocorrem na natureza e que originam moléculas naturalmente presentes nos ecossistemas. São também aceites outros processos, desde que não impliquem modificações químicas intencionais.
Enquanto profissional de saúde, considero que a definição proposta pela Organização Internacional de Normalização (ISO) descreve o conceito de “natural” de forma mais verosímil e coerente com a fisiologia humana. É essa visão que defendo e que fundamenta este artigo em prol de uma cosmética mais fisiológica e isenta de químicos de síntese.
COSMÉTICA ARTESANAL é natural?

Não, a realidade é que muitos químicos de síntese continuam presentes em produtos vendidos como “naturais”, e vários deles nem sequer são permitidos pela COSMOS. Um exemplo é o BTMS, ingrediente principal dos amaciadores sólidos — atualmente muito populares — e facilmente adquirido em lojas online.
Outros exemplos de químicos de síntese de fácil acesso, frequentemente utilizados por produtores artesanais e muitas vezes ocultados sob nomes comerciais, incluem:
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COSMÉTICA NATURAL CERTIFICADA o que é?
A cosmética natural certificada assegura a ausência de parabenos, ingredientes OGM, nanomateriais e substâncias classificadas como mutagénicas e/ou capazes de causar alterações no aparelho reprodutor. Regra geral, proíbe o uso de ingredientes de origem petroquímica, exceto quando não existe alternativa viável. Importa salientar que a certificação não proíbe totalmente os químicos de síntese; limita‑se a restringir os processos de fabrico, exigindo que sejam sustentáveis, não gerem desperdício desnecessário e resultem em substâncias biodegradáveis.COSMÉTICA NATURAL BIOLÓGICA o que é?
Não existe uma definição legal para cosmética natural biológica, mas a cosmética natural biológica certificada é obrigada a indicar a percentagem de ingredientes de origem orgânica presentes na formulação. A COSMOS, entidade que certifica a cosmética natural biológica em Portugal, estabelece critérios específicos de formulação, permitindo a certificação apenas de produtos que contenham mais de 20% de ingredientes de origem orgânica. A água e os minerais não são considerados ingredientes orgânicos; por isso, formulações predominantemente aquosas ou minerais podem obter certificação com um mínimo de 10% de conteúdo orgânico.COSMÉTICA NATURAL CERTIFICADA porque contém tantos químicos?

As razões pelas quais muitos produtos certificados continuam a incluir químicos de síntese são diversas:
COSMÉTICA NATURAL é possível sem químicos de síntese?

COSMÉTICA NATURAL sem químicos de síntese é eficaz?

COSMÉTICA NATURAL sem químicos de síntese é estável?
Sim, é possível obter formulações com estabilidade até dois anos sem recorrer a conservantes, emulsionantes ou estabilizantes de síntese química, desde que se utilizem métodos tradicionais de produção. Gostaria de aprender a produzir a sua própria cosmética natural — em formato individual, online e adaptado à sua disponibilidade — de forma simples, eficaz e verdadeiramente alinhada com a fisiologia da pele? Conheça todos os conteúdos do curso no link Curso de Cosmética Natural 80hCOSMÉTICA NATURAL sem químicos de síntese posso aprender a fazer?

Sim, no Curso de Cosmética Natural. Poderá preparar os seus próprios cosméticos em casa, de forma fácil, eficaz e económica, beneficiando de uma cosmética mais fresca, nutricionalmente mais ativa e verdadeiramente isenta de químicos de síntese. Vai utilizar apenas ingredientes naturais e biológicos e aprender técnicas cosmecêuticas que não geram poluentes nem desperdícios para o meio ambiente — uma cosmética mais sustentável e zero waste.
CONCLUSÃO

A cosmética natural remonta a cerca de 5000 anos, quando se utilizavam gordura animal e óleos vegetais nos cuidados da pele. A limpeza era feita com farinhas de cereais misturadas com leite. O sabão, por sua vez, era encontrado na Natureza durante os rituais de sacrifício animal em altares de madeira: as cinzas reagiam com a gordura do animal, originando um sabão rudimentar que as mulheres usavam para lavar a roupa e a loiça.
O conceito de higiene e beleza foi desenvolvido pelos Egípcios e pelos Romanos, sendo estes últimos os primeiros a produzir sabão de forma intencional e a formular um creme à base de azeite e cera de abelhas. No final do século XIX, com a síntese química do hidróxido de sódio, o sabão tornou‑se acessível à população em geral e passou a ser utilizado como prática médica para controlar surtos de doença.
Já no século XX, o culto da beleza intensificou‑se com a indústria cinematográfica e a emancipação da mulher. Surgiram a maquilhagem moderna e o protetor solar. Durante a Revolução Industrial, a técnica tradicional de fazer sabão com hidróxido de sódio e gordura vegetal foi gradualmente substituída pelo uso de tensioativos, como o lauril sulfato de sódio, dando origem ao gel de banho.
A cosmética industrial — natural ou convencional, certificada biológica ou não — é formulada para garantir um tempo de prateleira superior a 30 meses. Por isso, se o objetivo é usufruir dos benefícios de uma cosmética fresca, nutricionalmente mais rica e isenta de químicos de síntese, a solução mais fidedigna é preparar os seus próprios cosméticos. Em alternativa, pode realizar a Consulta de DermaCosmetologia Natural, onde receberá aconselhamento personalizado sobre os cosméticos comerciais que mais se aproximam deste conceito.
Por outro lado, se o seu foco é sobretudo ambiental, a cosmética certificada biológica já permite reduzir significativamente o impacto ecológico. No entanto, esse impacto pode ser reduzido a zero quando produz a sua própria cosmética em casa — de forma fácil, eficaz e económica — com garantia de 0% emissões e desperdício, através da tecnologia Sara Ciência & Tradição no Curso de Cosmética Natural 80h.